3I/ATLAS: tudo sobre o novo Visitante que veio de fora do sistema solar!
O que é o 3I/ATLAS?
3I/ATLAS é um cometa interestelar — um objeto que veio de fora do nosso Sistema Solar e está apenas “de passagem”, seguindo uma órbita hiperbólica (não está preso ao Sol). Ele foi descoberto em 1º de julho de 2025 pelo projeto ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), no Chile. É o terceiro visitante interestelar confirmado, depois de 1I/‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019); por isso o prefixo “3I”.
Nome oficial: 3I/ATLAS
Designação cometária: C/2025 N1 (ATLAS)
Descoberto por: ATLAS – estação de Río Hurtado, Chile (W68)
Essas designações aparecem em comunicados da NASA e em catálogos astronômicos atualizados.
Periélio (ponto mais próximo do Sol): ~30 de outubro de 2025, a cerca de 1,4 UA — dentro da órbita de Marte.
Aproximação mínima da Terra: cerca de 1,8 UA (~270 milhões de km) — sem risco algum para o nosso planeta.
Resumo prático: ele passa “longe” da Terra e não oferece perigo.
Vai dar para ver a olho nu?
Não. As estimativas apontam brilho máximo em torno de magnitude ~11–12, o que exige telescópios amadores para registro visual; binóculos comuns não bastam. Além disso, a geometria solar vai atrapalhar em parte da passagem.
O que os grandes telescópios já viram
Hubble (HST)
O Hubble registrou o 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, revelando uma coma difusa (nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo) e indícios de pluma de poeira e cauda. As imagens ajudaram a limitar o tamanho do núcleo, que parece ser pequeno (subquilométrico a poucos km).
James Webb (JWST)
O JWST observou o objeto em 6 de agosto de 2025 com o espectrógrafo NIRSpec. Resultado principal até agora: forte emissão de dióxido de carbono (CO₂) na coma, com água (H₂O) detectada também, mas em menor proporção que o esperado para muitos cometas do Sistema Solar. Essa química incomum sugere que o 3I/ATLAS se formou num ambiente muito diferente do nosso — possivelmente próximo a uma “linha de gelo” de CO₂ no sistema de origem, ou com crosta isolante que suprime o vapor d’água.
Outros observatórios
TESS, Rubin Observatory (imagens de validação), Gemini e VLT contribuíram com pré-coberturas e espectros que reforçam a presença de gases voláteis (H₂O, CO₂) e traços como CN (cianogênio). Essas detecções são consistentes com um cometa natural ativo a grandes distâncias.
Composição: por que o 3I/ATLAS é tão interessante?
CO₂ muito abundante: Medidas iniciais indicam coma rica em CO₂ e relação CO₂/H₂O atipicamente alta. Isso quebra expectativas baseadas em cometas “locais”, que geralmente mostram muito H₂O perto do Sol.
O que isso pode significar?
Formação em região fria onde o CO₂ congelado é dominante.
Crosta ou agregados que retêm água e deixam o CO₂ escapar com mais facilidade.
História térmica diferente da dos cometas da Nuvem de Oort.
Esses cenários estão em estudo e devem ser refinados com novas campanhas do Hubble e do JWST após o periélio.
As restrições atuais sugerem um núcleo pequeno (estimativas subquilométricas a poucos quilômetros, ainda com incertezas). A coma aparece elíptica e difusa, como esperado em cometas ativos. Fragmentação ou erupções de brilho (outbursts) não estão descartadas à medida que o calor solar aumentar.
Pelos parâmetros orbitais (inclinação e velocidade), estudos popularizados indicam que o 3I/ATLAS pode ter se originado numa população antiga da Via Láctea (ex.: “thick disk”), o que o tornaria muito velho — possivelmente mais antigo que o nosso Sistema Solar. Isso ainda está sendo refinado à medida que a órbita é melhor determinada.
Mitos e boatos: é nave alienígena?
Desde ‘Oumuamua, hipóteses extraordinárias sempre aparecem. No caso do 3I/ATLAS, os dados de múltiplos telescópios indicam um corpo natural com coma de gases e poeira, espectros compatíveis com voláteis, e dinâmica típica de um cometa interestelar. Não há evidências científicas de tecnologia ou controle artificial.
Linha do tempo rápida (2025)
1º jul: descoberta pelo ATLAS.
21 jul: primeiras imagens do Hubble detalhando a coma.
6 ago: JWST (NIRSpec) observa e detecta CO₂ muito forte.
Ago–Set: análises reforçam química incomum e pré-coberturas por TESS/Rubin.
~30 out: periélio ~1,4 UA (lado do Sol dificulta observação no dia exato).
Dez e em diante: novas sessões do Hubble/JWST previstas para acompanhar a saída.
Como observar (para quem tem equipamento)
Brilho esperado: mag. ~11–12 (depende de atividade).
Equipamento mínimo: telescópio amador com boa abertura + rastreamento.
Dica: consulte efemérides atualizadas (cartas do céu e softwares) porque a posição muda rapidamente e a coma é difusa.
Perguntas frequentes
É perigoso?
Não. Passa a ~1,8 UA da Terra, ou seja, muito longe.
Por que “3I”?
Porque é o terceiro (3) objeto interestelar (I) confirmado: depois de 1I/‘Oumuamua e 2I/Borisov.
Por que não dá para ver a olho nu?
Porque o brilho previsto não atinge magnitude de olho nu e a geometria com o Sol complica.
O que o torna especial?
A química da coma (CO₂ muito forte em relação à água) e a oportunidade única de comparar cometas formados em outro sistema estelar com os nossos.
Fontes: NASA, Space.com, Spacedaily/MSU



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